Terminei de pregar, encerramos a reunião, desci do tablado e fui recebido por um senhor que estava ansioso para me dizer algo.

“Diga, meu irmão…” – disse com alegria.

“Pastor, eu preciso lhe dizer… Você conhece as Escrituras, mas…”

“Mas?” – perguntei em tom de preocupação.

“Pastor, pastor…” – ele sorriu com ar de segurança – “…o senhor sabe sobre Deus, mas precisa conhecer mais de Deus, mais do seu poder e da sua Graça, mais da sua presença… sinto
que falta intimidade, falta o sobrenatural. A letra mata, mas o espírito vivifica. Falta comunhão, pastor… Comunhão com Deus”

Poderia ficar aborrecido, mas não fiquei. Porque não é a primeira vez que ouço uma afirmação como essa, nem será a última. Muitas pessoas pensam dessa forma. Muitos pastores e líderes pensam dessa forma. Muitas comunidades cristãs defendem essa ideia. Muitos afirmam que há diferença entre “conhecer a Deus” e “conhecer sobre Deus”.

Para essas pessoas, “conhecer sobre Deus” tem a ver com teologia. Ou seja, alguém pode saber muito sobre Deus e não conhecê-lo, não ter intimidade com ele, não gozar da sua comunhão.

Em contrapartida, para essas pessoas, quem conhece Deus intimamente, não precisa da teologia nem do conhecimento. Pode conhecer Deus sem precisar estudar sobre ele. O conhecimento teológico de uma pessoa é desproporcional a quão bem ela conhece a Deus.

Mas a questão é: se é possível conhecer Deus sem o estudo, o que significa conhecer Deus?

Vamos admitir que conhecer Deus significa ter comunhão com ele.

Comunhão é comungar, realizar ou desenvolver alguma coisa em conjunto, harmonia no modo de sentir, pensar, agir; identificação de pensamentos em que há união ou ligação; compartilhamento. Uma pessoa não pode se comunicar com outra sem informações, ou pode? Podemos afirmar ter comunhão com o cônjuge, parente ou amigo sem saber nada sobre eles? Podemos afirmar ter comunhão com pessoas que adicionamos às redes sociais, mas que nunca vimos pessoalmente, com quem jamais compartilhamos nada antes? Acho que não.

Sendo assim, como alguém pode afirmar que conhece Deus senão conhece nada sobre ele? Se ignora boa parte das Escrituras? Se não sabe a sua vontade revelada na Palavra? Se não se esforça para, através da teologia, ter uma compreensão melhor sobre o Senhor?

Pior… Como pode o conhecimento subjetivo, emocional, experiencial, particular, ter mais valor ou mais importância do que aquilo que Deus revelou de si mesmo? Alguém pode até insistir que conhecemos a Deus através das experiências pessoais, mas até isso é definido e interpretado pela Palavra e pela teologia, ou seja, pelo conhecimento sobre Deus. O que é uma experiência religiosa pessoal? Como a alguém a recebe? O que esse sentimento particular significa? Essas respostas só podem vir pelo estudo da revelação verbal de Deus.

Gosto sempre de lembrar o que nos ensinou o Dr. Russell Shedd:

“O conhecimento não enfraquece a fé. Pelo contrário, o conhecimento auxilia o relacionamento com Deus. E produz muita dependência do Senhor também”.

Anote aí: desconhecer a Palavra e resistir à teologia é também se recusar a conhecer Deus da forma como ele definiu que deveria ser (João 14.21). O conhecimento da Escritura — conhecer sobre Deus pela Palavra e estudar a Palavra na e através da teologia — deve estar cima de tudo.

Meu amigo, minha amiga, transforme-se pela renovação da sua mente. E SÓ ASSIM você será capaz de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus (Rm 12.2).